A HARMONIA DA DESARMONIA

            "Quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."



Escrito por Pépe às 10:27 PM
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COVARDIA

Carta amenizadora para mim mesmo

 

 

            Anda difícil agüentar e depender da boa vontade do acaso, pra ser sincero nem gostaria de encaixá-lo nessa história, após uma vida de peripécias juntos. Também não o menosprezarei, afinal ele tem seus encantos. Se não o fosse, talvez não desse tanto crédito a situações que poderiam soar como simples coincidência. Tão tranqüilizante foi ver-te seguindo no mundo como um ser errante como todos os outros, lado a lado, se esmagando entre suas fraquezas para chegar ao destino, que não importa qual, segue sempre impaciente e compassado.

           

            O propósito de tudo, como adianta o título, é justificar aqui, o que acontece inexplicavelmente com a existência desta madura companheira. Porém, me recuso a coagular nada vinculado a essa desatitute. Acontece que existe um medo de borrar tudo, desmoronar com o pau-a-pique de sonhos, jogado com tanto cuidado. Seria mesmo pior a incerteza do que a sarjeta dita? Reparando pensamentos, mesmo covarde, é acolhedor penar com a hesitação de qualquer recíproca, podendo assim continuar a observar, olhos fitando-me timidamente, conviver com a doce fantasia da dúvida que paira em acordes musicais.

           

            O medo existe, e com ele o “re”, que antecede qualquer ilusão de aprovação. Tenho, mesmo, com certa dor, mas sem vergonha de assumir. Peço até perdão, mas o histórico vastamente estraçalhado, em cacos tão pontiagudos, me faz padecer diante da possibilidade de qualquer negação. Desculpa.

 



Escrito por Pépe às 12:55 AM
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O COQUETEL

 

 

Ser interessante é algo relativo se pensarmos que a cada fase tivemos definições diferentes para essa proeza. Um dia, a figura de um ser interessante já girou em torno daqueles símbolos de popularidade do colégio, figuras bonitas, simpáticas, que distribuíam sorrisos, nem sempre doces. Com o tempo, e com os risos, a evolução da espécie se comprova com a teoria da negação, e o que passou a ser interessante foram as pessoas tímidas, fechadas em seus mundos, que nos proporcionaram visões confortantes da vida pela primeira vez.

 

Contudo, um dia esse conforto desmora, não por problemas de estrutura, mas pelo simples fato de que a vida continuava, e ainda existiam outras formas de encará-la. Depois de tanta calmaria, a pressa acaba sendo por tornar sua existência uma total tempestade, e com sede de rebeldia, o que passou a ser interessante foram pessoas que se destacassem em meio à multidão. Caem as barreiras e abrem-se as portas para a livre experimentação.

 

Mas um dia a ressaca veio, e cansado de tanta pose, a bola da vez passou para a praticidade. Com a barba e o discurso por fazer, cria-se à imagem de alguém que não perde tempo se empetecando, para cuidar mais do cérebro. É tudo tão idealizado, que enquanto você segura aquele copo e ouve os discursos inflamados, sente que finalmente encontrou a definição perfeita para o ser interessante.

 

As pessoas parecem seguras e espontâneas, porém não admitem erros, e não demora, para que transpareça que esse grupo parece seleto demais. Nesse momento é possível sentir-se novamente dentro daquela panelinha do colégio, ficando claro que, após essa longa evoluçaõ de prioridades, ao contrário do que se imaginava, para eles, ser interessante parece tem alguma relação com simplesmente saber segurar copos.

 



Escrito por Pépe às 02:01 PM
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REALISMO FANTÁSTICO

 

 

A chamada “revista eletrônica semanal” parece tão interativa, que tem mais cara de Internet do que de TV. A quantidade absurda de assuntos soa como uma selvageria de informações, misturando denuncias, investigações, prestação de serviços, futilidades e entretenimento, tudo revestido com um assustador otimismo.

 

Dita intelectual, a “atração” que já está no ar há mais de três décadas, é tida por muitos como a salvação dos domingos. Não se pode negar que muita coisa relevante já foi produzida sob a batuta do programa, um bom exemplo que foi ao ar, são as séries do Dr. Dráuzio Varella. Há também, os que não foram ao ar, como o caso do documentário “Falcão, meninos do tráfico”, ainda inédito, pelo conteúdo que coloca em risco a vida de pessoas envolvidas em sua produção.

 

Contudo, a programação geral parece uma salada, e na crise dos trinta anos, o programa parece sofrer de uma estranha amnésia, seja reforçando em muitos casos, de maneira sutil, velhos conceitos, seja tentando vingar infelizes “novidades”, ou para surpresa, sofrendo de estrutura e conteúdo.

 

Um exemplo ocorreu após a exibição de uma matéria, sobre o caso da policial militar, que coagiu duas jovens que se beijavam no campus da USP Zona Leste. Foi lançada uma enquête, perguntado se a audiência julgava certo que duas pessoas do mesmo sexo se beijassem em locais públicos. Apesar do resultado positivo, o programa lançou com a pergunta, uma espécie de reforço para a idéia de que as pessoas podem decidir por “achismos” o que é certo ou errado. Esse tipo de postura reforça velhos conceitos e atitudes precipitadas, assim como foi a da policial criticada na matéria.

 

Em outros aspectos, o programa tenta soar moderno, como na criação de uma apresentadora virtual, a econômica Eva, que já foi confundida com uma repórter de carne e osso. Por mais que pareça engraçado, acho perfeitamente explicável se pensarmos nas figuras que costuram o programa junto a ela. Às vezes é questionável a existência dos apresentadores, em especial de Glória Maria, que parece uma boneca, soltando sorrisos dignos de capa da caras seguidos de faces que lembram filmes de suspense.

 

Uma de muitas situações constrangedoras, que o programa proporcionou para o telespectador, aconteceu quando foi focada com prioridade, a festa de comemoração do Corinthians, que havia sido campeão do campeonato brasileiro. Nada mais comum, até que essa “festa” literalmente tomou conta do programa, sufocando as outras matérias. O número de interrupções para mostrar a comemoração dos jogadores foi cansativo, e a vinheta de entrada, irritantemente feliz (nada mais óbvio para o tom de festa) gerou incomodo ao chocar-se com o término de outras matérias.

 

O ápice desse choque ocorreu, quando estava sendo exibida uma matéria sobre um grupo de jovens, que atearam fogo num ônibus, matando e ferindo vários passageiros, no Rio de Janeiro. Em depoimento engasgado, sobre a realidade da guerra civil, que acontece em especial na cidade, uma policial dizia em choro contido, que os jovens infratores eram tão vítimas, quanto os passageiros do ônibus, e que ela não sabia mais a quem defender. Nesse momento, um assustador corte iniciou a carnavalesca vinheta, entrando com a fala do repórter “estou ao vivo na frente de um restaurante francês para mostrar a festa dos jogadores corinthianos”. Estes mesmos, entusiasmados, jogavam cerveja nas janelas do restaurante, fazendo gestos obscenos para a câmera e gritando em coro atrás do vidro, algo que qualquer pessoa, sem muita experiência em leitura labial, poderia interpretar como “vai se foder”.

 

Talvez, pudesse passar como uma infelicidade de cobertura ao vivo, mas a insistência em mostrar a folia corinthiana e o eco das matérias de cunho social, chocando-se com a “nobreza” do restaurante francês, comprovou a posição do programa, que parece ser a mesma da mensagem silenciosa dos jogadores atrás do vidro.

 

 



Escrito por Pépe às 05:13 PM
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IN PRESSÃO

 

 

            Tem contradições que parecem existir apenas para nos torturar psico e lógicamente. Um dia você conhece alguém do nada, conversa sem nenhuma justificativa sobre assuntos descabidos e quando percebe, tem alguém apaixonado por você. Mas quando o papo não surge bem do nada e você quer impressionar alguém propositalmente, aí a situação é exatamente contrária. É nessa hora que você percebe que o universo só conspira mesmo a favor do Paulo Coelho, porque de você ele parece zombar.

           

            A “Lei de Murphy” é tão vaga quanto à “teoria do Mago”, para devanear sobre como é difícil conhecer alguém e causar uma boa impressão hoje em dia. As pessoas estão mais exigentes, e existem certas barreiras que são intransponíveis a diálogos ou atitudes momentâneas. São tantas regras, não se pode ser direto, também não se pode ser lento, não pode fazer piadas bobas, porém como saber se somos realmente engraçados, afinal nós achamos graça!

           

            Medo! É como se a tal da primeira impressão fosse a nossa imagem impressa em uma única fotografia. Em jogo está não só sua fotogenia, como também a qualidade da impressão. Quanto a isso, não se existe teoria, é uma relatividade absoluta, uns podem ter qualidade a laser, mas com isso destacar alguns defeitos, outros podem sair bem na pose, mesmo que seja numa lenta jato de tinta, e claro, também há quem nem chegue a ser impresso por recusa da impressora ou mesmo falta de tinta.

           

            Mas é imutável, fronteiras existem, e por mais que não gostemos de posar para tal retratação, quando o coração aperta, mesmo sob constante pressão, o jeito é usar o lado mais fotogênico e torcer para não queimar o filme, afinal nesse jogo não há tempo para “Photoshop”.

 

 



Escrito por Pépe às 12:15 PM
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YOUNG AMERICANS!

Manderlay

 

 

Muita gente torceu o nariz para o projeto de uma triologia com os novos métodos apresentados pelo ex-dogma Lars Von Trier, talvez pela enorme tietagem que o primeiro filme da série recebeu. Já anunciada sob o tema “estilo de vida americano”, a triologia, em sua segunda cria,  parece ultrapassar as fronteiras da então América, e tratar da superficialidade da vida americana enraizada não só no continente, como também no imaginário do mundo.

 

Ao relacionar as ancestralidades africanas e o espírito “Madre Tereza” de Grace com as transformações que os negros sofreram na América, o segundo filme parece tratar de um costume muito comum, não só no mundo de Grace, que é a questão dos rótulos. Quem seriam hoje os Mansi e os Munsi?

 

Apesar de transparecer maior ingenuidade que o antecessor, a fórmula para enquadrar essas críticas é a mesma, com personagens criados em moldes cinematográficos de mocinho e vilão que são invertidos diversas vezes com o desenrolar da trama, cenário teatral contrastando a vida real cinematográfica com ausência material nas locações, e claro, a presença da nem tão doce protagonista, com sua grande determinação em concertar o mundo. A única coisa que muda é justamente a face dos personagens. 

 

A troca de atores para os mesmos papéis parece assustar um pouco o público no início, mas depois soa como uma multi-faceta tanto dos personagens quanto das influências reais para a construção destes. Resta esperar para comprovar se a troca de atores ocorrerá também na terceira e última parte do projeto, confirmando se esse detalhe destoante se tornará um conceito ou uma estranheza.

 

Contudo, a repetição faz com que mesmo estabelecendo ligações básicas entre si, os filmes vistos em separado, sejam redondos e cumpram com seu papel. Com a mesma equação, a triologia até então conseguiu a mesma reação do público, que pela segunda vez foi preso até o final dos créditos, por uma seqüência de fotos ligeiramente chocantes, e animada pela performance musical de David Bowie.

 

Agora, segundo a tradição americana, só nos resta assistir a tietagem do segundo filme e esperar pela última parte da triologia. Expondo a podridão humana de forma tão simples e sutil, a proposta é válida ao tirar o público das nuvens e colocar dentro das riscas no chão. Fazendo em seguida com que saiam cantando vingativamente “Young Americans” ao deixar o complexo de Grace para trás.

 



Escrito por Pépe às 05:05 PM
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CHUPÃO, O ELO

 

 

           

            Essa mancha roxa que vira e mexe perambula em pescoços alheios, traz a tona muito da obscura personalidade humana, além é claro, de passear por nossas negadas origens. É fato que o famoso instinto humano, nos relaciona com a vasta leva de animais ferozes, que costumam se “agredir sutilmente” durante o coito. Porém, somos “animais superiores”, com “alto grau de racionalidade”, sendo, portanto impensável classificarmos o tal ato de sucção como agressão.

           

            Supostamente, a junção da malícia do macaco e a sonsice do cachorro, conseguiriam justificar a chupada como intenção pré-concebida da marcação de território. Só que, por outro lado, além de árvores estáticas, somos também, às vezes, conscientes..., e por esse fato seremos obrigados a lembrar, de quem fez aquilo, toda vez que olharmos no espelho.

           

            Se fosse só assim, seria até ameno, porém, lembramos da marca no pescoço toda vez que alguém passa e demonstra alguma reação da qual não temos costume de receber cotidianamente. Para nossos antepassados, que andavam sem roupa nenhuma e tinham seus corpos à mostra, aparecer com um hematomazinho, nem devia ser tão estranho assim. Mas para nós, que somos tão fechados em copas, com muito mais palhas e penas, a coisa parece ser diferente.

           

            É realmente incrível o tanto que as pessoas te olham. No ônibus, você se sente uma máquina caça níquel, vendo refletido dentro de olhos alheios o seu chupão, rodando em inúmeras figuras. As crianças o vêem como uma barata, outros inusitadamente vêem uma apetitosa uva, há que veja uma marca de abdução ou simples sujeira, e há também, quem veja uma grande pinta, mas o pior com certeza são as “tiazinhas”, armadas com seus guarda-chuvas supersônicos, que parecem ver um grande crucifixo.

           

            Em meio a todo esse constrangimento, a primeira medida tomada é tentar esconder, mesmo que seja das pessoas mais próximas. Então, você caminha na cozinha sempre de lado, fica tentando falar de perfil, e quando as pessoas dão a volta na mesa, você logo abre a geladeira ou soca a cabeça dentro de um armário. Tranqüilo, em casa todo mundo fala sem olhar para as pessoas, acho que ninguém percebe, se bem que andar de ré talvez possa soar estranho, enfim.             Tranca-se no quarto mesmo sem estar frio e só saí de lá com aquele casaco de gola até o pescoço, esperando, é claro, que ninguém repare na excentricidade. Passa pela cozinha, e antes que consiga sair para a rua, alguém te olha com cara de “oxe!”, e você logo rebate “está frio né?”.

           

            Caminhando pela rua sente-se mais protegido, porém percebe que as coisas não mudam muito, mesmo com casaco parece que as pessoas tem visão Raio-X. Credo! Deve ser encanação! Agüenta mais um pouco e logo encontra um amigo com a esperança de receber um apoio moral, porém com ele vem a surpresa da uma triste previsão de que pelo grau do ocorrido, talvez uma semana seja o mínimo da existência roxa.

           

            Não! Chega! Uma semana não dá! Então você resolve ser forte, se libertar das encanações e seguir em frente. É claro que recebe alguns sermões, vira motivo de novena, ganha apelidos novos, recebe pseudo-cantadas. Mas em compensação, percebe que as coisas não parecem tão ruins, e mesmo se sentindo o Eri Johnson por uma semana, a máquina parece pender mais para uvas do que para crucifixos.

 



Escrito por Pépe às 01:04 PM
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MURALHAS INVISÍVEIS

 Cidade Baixa

 

 

            Representando muito de nossa geração, o filme retrata as idas e vindas de um triângulo amoroso, Deco, Naldinho e Karinna, três jovens que se cruzam pelos caminhos da cidade baixa de Salvador. Com eles, parece que grande parte da platéia, sem fazer muitas generalizações, consegue transcender alguns dos preconceitos impregnados pelos freios da sociedade moderna.

 

            Os personagens, não só o trio, tem identidades muito seguras, e isso não soa como problema em momento algum, pelo contrário, atribui à eles uma forte presença, e às suas decisões uma postura firme sob o imaginário de quem assiste. Em momento algum, se questiona se eles estão ou não corretos, pois acabamos imergindo em seu mundo, seja furtando, dançando, desejando ou simplesmente sentindo.

 

            Com essa atmosfera, o filme consegue retratar temas polêmicos de forma sutil, fazendo com que o rompimento de barreiras, seja do sexo, da amizade, do desejo, dos estereótipos e suas proibições, sejam vistas de forma natural.

 

            Contudo, o que atrai é que não há um problema tangível em “cidade baixa”, os personagens, os dramas, as escolhas, estão todos impregnados nos olhares submersos, no girar do copo de cerveja, no quebrar do espelho, na fúria dos golpes, na sedução ou mesmo no sexo. A condução desses acontecimentos está muito longe de se dar através de diálogos, acontece de forma sutil, invisível, assim como as barreiras sociais, que pressionam uns contra os outros.

 

            O ritmo é indefinido, e apesar de soar estranho à primeira impressão, resulta positivamente, ao retratar com lentidão uma vida sem muitas expectativas, e contrastá-la com a súbita fúria um mundo real, sem maquiagens. Remando contra a maré, os personagens tentam passar por cima de suas próprias barreiras, e o mesmo acontece com a platéia, que se depara sutilmente com antigos e ainda expostos preconceitos.

 

            Uma das cenas mais marcantes é confronto entre Naldinho e Deco, que por mais que soe como uma simples briga de rua, traz a tona a angustia que toma conta da juventude de uma cidade baixa. A cena é tão forte, que a cada golpe, se tenta imaginar um motivo para justificar tanta violência. E é justamente por não encontrar esse motivo e soar tudo tão gratuito, que conseguimos refletir o quanto sofremos por imposições sociais, que de tão invisíveis, dificilmente serão abolidas.

 

            A discussão que o filme deixa, talvez seja o que realmente realce sua relevância. Mostrando de um ponto de vista jovem, a impregnação dos preconceitos, ele deixa para que o mundo decida, se quer ou não passar por cima de suas próprias muralhas psicológicas.

 



Escrito por Pépe às 03:21 PM
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É HORA DE DAR TCHAU?

 

 

            Há não muito tempo, as pessoas costumavam usar a expressão “anti-social” como xingamento, para atingir outras que parecessem “frescas” pelo fato de não se enturmarem ou fazerem as coisas sem demonstrar que precisam da ajuda do outro.

           

            Ser “anti-social” está muito longe disso, todos sabemos que tudo se torna mais interessante, se divido ou processado em conjunto. Por isso, não vamos confundir, ser “anti-social” e ser “sociável”, estão muito longe de serem antônimos. Se pensarmos, todo mundo tem que ser social o tempo inteiro, desde o primeiro choro para comunicar ao médico que estamos bem até a relação sexual. É uma evolução da qual todos nós passamos, só que de formas diferentes.

           

            Acontece que, durante essa jornada, acabamos transformando certas expressões e atitudes em reações robóticas, e a questão é que para algumas pessoas, chega uma hora que cansa ficar dando sorrisos e sentir-se olhando para o mundo com um olhar televisivo. Conseqüentemente, isso acaba irritando muita gente, afinal é ousadia demais não cumprimentar as pessoas, ou continuar vivendo no mesmo ambiente que elas, sem ficar reafirmando suas importâncias.

           

            Aí está a principal complicação: o anti-social parece ser mais cobrado do que todo o mundo. As pessoas o criticam por não interagir e falam mal porque acham que ele nunca vai ficar sabendo. Mas nesse ponto, elas o subestimam, pois ele pode ter muitos amigos, amores, e atitudes como os outros, e talvez, com muito mais consciência e senso de importância dessas relações.          

           

            Mas parece que quanto mais as pessoas percebem que não sabem o querem para si, mais elas ficam azucrinando o “anti-social” para sair da toca e mudar suas atitudes, como se esse fosse seu ponto positivo no mundo, uma espécie de auto-afirmação. Mas em contra-partida, quando a gente dá um passo, essas mesmas pessoas, são as primeiras a censurar com a bandeira do “nossa, isso porque você se diz anti-social!” ou “então agora você não é mais anti-social, né?”.

           

            Acontece que ser “anti-social” não é ter aversão às pessoas e muito menos não saber viver em sociedade. Todos nós vivemos em sociedade, e é impossível continuar vivo, sentindo aversão pelas pessoas em geral, a começar que em sua casa, deve ter algum espelho.

           

            Ser “anti-social” é não concordar com coisas que a vida social cria e dita, é não gostar de certas atitudes que as pessoas tem na frente de outras, sentimentos e situações ruins que só rolam na vida coletiva. E isso não significa que ele seja o certo e as outras pessoas erradas, mas sim que o “anti-social” não gosta de sentir que ele também age da mesma forma.

 

            As pessoas não sabem o que querem da vida, só cobram do mundo, sem perceber que elas mesmas fazem a manutenção dele. E é por esse motivo que vou continuar passando pelo outro lado da pilastra para fingir que não te vi, vou continuar a chegar nos lugares sem falar oi, ir embora sem dar tchau, e principalmente, continuar a escrever aqui, para quantas pessoas quiserem ler, porque enquanto o mundo não decide o quer de mim, e eu tiver esse espaço para dizer o que penso, já decidi o que quero com ele, mantér distância.

 



Escrito por Pépe às 02:59 PM
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CREDIBILIDADE DOS FATOS

 

 

Uma cena familiar a todos, é no colégio, quando surgia um cheiro desconfortante e logo um ser abanando o ar, gritava o acontecido. Tendo sua atenção chamada pela professora, retirava a gola da camiseta do nariz e se pronunciava, gerando verdadeira onda de terror no restante dos alunos, que em muitos casos nem sentiam o cheiro de fato.

 

Dia desses, fitando um programa jornalístico de TV, me peguei a imaginar se o âncora soltava flatos, e percebi que até então isso só havia ocorrido a mim, pois ao tentar teorizar o devaneio fui logo cortado por risos. Mas mesmo assim, fui mais longe, e apesar de não ter conseguido imaginar a Ana Paula Padrão como “flatulenta”, consegui visualizar nitidamente o Willian Bonner como o menino que soltava flatos discretos no colégio.

 

O que deve estar passando pela sua cabeça é, qual a relação do título deste texto com esses problemas gerados na camada de ozônio. A questão é justamente o fato, de que não se é cogitada a culpa, de quem realmente é o autor do flato de fato.

 

Disso me veio à mente a questão da credibilidade. E sendo hoje, o âncora de Telejornal, a maior figura de credibilidade do país, pergunto: teriam eles uma credibilidade atmosférica para com as pessoas?

 

Realmente é uma questão para ser devaneada, mas achei o tema extremamente propício para a inauguração de um Blog como esse, que não pretende necessariamente ser um divagador de filosofias de banheiro, e que em seu primeiro texto abre mão de qualquer tipo de credibilidade que lhe possa ser atribuída, para tratar de um assunto corriqueiro, quase não questionado, mas que causa grande alarde em nossas vidas.

 

 



Escrito por Pépe às 12:19 AM
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